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28/12/2025

Juros abusivos no contrato do imóvel: quando cabe ação revisional

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Guia completo • didático • com ferramentas

Juros abusivos no contrato do imóvel: quando a conta “não fecha” e a revisional faz sentido

Vou falar com você como eu falaria com um cliente sentado na minha frente: nem todo contrato caro é abusivo. Mas quando você paga, paga, paga… e o saldo parece viver de vida própria, normalmente há um problema em algum destes pontos: método de cálculo, transparência, encargos acumulados, indexação, capitalização ou cobrança de mora fora do padrão.

Aqui você vai entender o que olhar, como provar e quando a ação revisional realmente vale a pena — sem promessa fácil e sem “achismo”.

⏱️ Tempo de leitura: ~ 🧾 Triagem + simuladores + checklist ⚖️ Fundamentos: CDC/boa-fé/transparência
Conteúdo informativo e educacional. A viabilidade jurídica depende do contrato e dos demonstrativos do seu caso concreto.
✅ Em 30 segundos: quando costuma valer a pena revisar
A revisional costuma ficar forte quando você consegue mostrar um indício objetivo (ex.: saldo não reduz, “amortização negativa”, ausência de planilha clara, mora com cobrança “empilhada”, correção + juros sem explicação) e tem documentos mínimos (contrato + boletos/extratos + comprovantes). O salto de “suspeita” para “caso bom” acontece quando dá para colocar número no excesso (planilha/perícia/recálculo).
📌 Navegação do artigo (clique para recolher)

1) “Juros abusivos” não é só juros alto: é desequilíbrio + falta de transparência

Tem uma frase que evita muita frustração: o Judiciário não corta números no “achismo”. Para uma revisional dar certo, você precisa mostrar onde a conta desandou e por quê.

Na prática, “abusivo” costuma aparecer quando o contrato ou a execução dele viola princípios básicos: boa-fé, transparência, equilíbrio e informação clara ao consumidor. Não é “pagar menos”. É exigir que a conta tenha lógica, método e clareza.

Tradução humana: se você olha para a cobrança e pensa “eu não consigo entender como chegaram nisso”, esse sentimento pode virar argumento jurídico, desde que você transforme a dúvida em prova: contrato, demonstrativos e recálculo.
O que normalmente NÃO é abusividade, sozinho
Juros “altos” por si só, sem comparação, sem prova de desequilíbrio e sem demonstrar o método de cálculo, muitas vezes não sustentam a revisão. A força do caso nasce do conjunto: pactuação + transparência + cobrança efetiva.

2) Sinais de alerta: quando vale parar e investigar

!
Você paga há anos e o saldo não reduz (ou cresce)
Isso pode indicar amortização insuficiente, correção + juros “engolindo” sua parcela ou encargos acumulados.
!
Você não recebe planilha clara de evolução do saldo
Sem memória de cálculo, fica impossível conferir. E o que não dá para conferir vira risco jurídico.
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Qualquer atraso vira uma dívida “monstruosa”
Normalmente envolve mora mal aplicada, cumulação de encargos e “efeito bola de neve”.
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Você não sabe dizer o que é correção, o que é juros e o que é multa
Quando tudo vira “um número só”, o consumidor perde a capacidade de controle — e isso importa juridicamente.
👉 Se você marcou 2 ou mais desses sinais, vale fazer a triagem e organizar documentos. Revisional forte costuma ser revisão com prova, não “revisão com esperança”.

3) Tipos de contrato: banco × incorporadora (isso muda o jogo)

Antes de discutir juros, você precisa saber com quem você contratou e qual é a engenharia do contrato. Dois cenários comuns:

A) Financiamento bancário (SFH/SFI ou similares)

Aqui normalmente entram discussões sobre: taxa de juros, CET, capitalização (quando pactuada), sistema de amortização (PRICE/SAC), tarifas/seguros, e principalmente a coerência entre o que foi contratado e o que foi cobrado mês a mês.

B) Parcelamento direto com incorporadora/construtora

Nesse modelo, é comum aparecer: correção por índice (ex.: INCC/IGP-M/IPCA), juros compensatórios, cláusulas de mora, e muita confusão entre “atualização do saldo” e “juros”. O abuso costuma aparecer quando há dupla penalização ou quando o índice corrige e, por cima, entra juros e mora sem transparência.

Dica prática: não comece discutindo “taxa”. Comece perguntando: qual é o método? (índice + juros + amortização + mora). Método é o mapa do abuso.

4) Entendendo o cálculo: por que você paga e o saldo não baixa

Esse é o ponto que muda tudo. Em contratos de imóvel, normalmente existem camadas: (1) correção/atualização, (2) juros, (3) amortização, (4) encargos de mora quando há atraso.

4.1 Correção (índice) ≠ juros

A correção atualiza o saldo para “acompanhar” um índice (inflação, custo da construção etc.). Juros remuneram o capital no tempo. O problema aparece quando a execução mistura tudo sem separar.

4.2 Amortização: a parte da parcela que realmente reduz o saldo

Se sua parcela cobre basicamente correção + juros e sobra pouco para amortizar, o saldo demora a cair. Em alguns cenários, ocorre a chamada amortização negativa: a parcela não cobre o custo do mês, e o saldo aumenta. Isso não é automaticamente ilegal, mas é um alerta — especialmente se o contrato não explicou isso claramente.

👉 Pergunta simples que “abre” o caso: no seu boleto/extrato, quanto foi amortização? Se você não consegue responder, provavelmente falta transparência.

4.3 Mora: quando o atraso vira um segundo contrato

A mora é onde muitos abusos aparecem: multa, juros moratórios, comissão de permanência (em certos contratos), e outras cobranças. O problema típico é a cumulação indevida ou a cobrança “empilhada” sem critério, que transforma atraso pequeno em dívida impagável.

5) Onde normalmente mora o abuso (checklist técnico de alto valor)

Abaixo estão os pontos que, quando aparecem juntos, costumam fortalecer revisão judicial. Use como mapa de auditoria:

Falta de memória de cálculo
Sem planilha do saldo, o consumidor não confere. E o juiz costuma exigir coerência e explicação.
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Parcelas sem discriminação (juros/correção/amortização)
Quando “vira um número só”, a conta fica opaca e o risco de excesso aumenta.
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Capitalização/juros compostos sem explicação clara
Mesmo quando é juridicamente admitida em certos contratos, precisa estar clara e coerente com a cobrança.
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Correção por índice + juros + mora empilhada
Dupla ou tripla penalização pode gerar desequilíbrio, especialmente em atrasos curtos.
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“Amortização negativa” recorrente
Se acontece frequentemente e não foi bem explicado, vira um ponto forte de questionamento.
!
Tarifas/seguros/encargos sem base contratual transparente
Se você não sabe “o que é”, peça a origem e a cláusula. Encargo sem base clara é vulnerável.
Como transformar isso em tese “ganhável”
O juiz tende a ouvir melhor quando você apresenta: (a) a cláusula/condição do contrato, (b) o demonstrativo da cobrança real, e (c) a divergência (recálculo ou inconsistência). Em outras palavras: texto + número + diferença.

6) Provas e documentos: o que você precisa reunir (sem isso, o caso perde força)

Dá para ser muito direto aqui: revisional boa é revisional com documento. Se você entrar com ação sem base, o processo vira “opinião”. E opinião perde para cálculo.

Contrato completo
Incluindo anexos e aditivos. Se for digital, envie o PDF inteiro.
Boletos/extratos (ao menos 6 meses)
Se puder: do início, do meio e do momento atual (isso ajuda a “contar a história” do saldo).
Comprovantes de pagamento
O juiz precisa ver a trajetória real de pagamentos.
!
Planilha/memória de cálculo do saldo
Se não fornecem, isso vira um ponto de ataque: falta de transparência e impossibilidade de conferência.
!
Notificações/cobranças/negativação
Para urgência e estratégia (tutela, negociação, contenção de dano).
Dica de ouro: se você conseguir uma planilha que mostre, mês a mês, saldo anterior → correção → juros → amortização → saldo final, você praticamente coloca o caso em “modo perícia”.

7) Estratégia prática: o que fazer (e o que evitar) antes da revisional

7.1 O que fazer

Organizar a linha do tempo
Início do contrato, reajustes, renegociações, atrasos, mudança de índice, qualquer “virada” no saldo.
Pedir formalmente a evolução do saldo
Quando você pede e não recebe, isso fortalece tese de opacidade e dificulta defesa do credor.
Separar o que é “custo normal” do que é “mora”
Muitos casos ficam fortes quando você demonstra empilhamento de encargos no atraso.

7.2 O que evitar

!
Parar de pagar sem estratégia
Pode gerar negativação, cobrança e medidas contratuais. Cada caso exige cautela.
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Entrar com ação sem documento
Sem base, o processo vira “discurso” e o juiz tende a negar pedidos amplos.
!
Confiar só em print
Print ajuda, mas extrato/planilha/memória de cálculo é o que sustenta o recálculo.
Uma frase que “abre portas” na prática
“Por favor, encaminhe a memória de cálculo (evolução do saldo mês a mês), discriminando correção, juros, amortização e eventuais encargos.”

Se o credor não tem isso organizado, é aí que mora parte do problema.

8) Triagem avançada (1 minuto): seu caso tem “cara” de revisional?

Preencha e veja um resultado explicativo. No final, você pode gerar uma mensagem automática para enviar no WhatsApp com os dados do seu caso.

Resultado
Preencha e clique em “Gerar resultado”.
Enviar triagem no WhatsApp

Dica: se você tiver a “evolução do saldo” (memória de cálculo), envie junto. Isso costuma ser decisivo.

9) Simuladores didáticos (para você enxergar o mecanismo)

Esses simuladores são educativos. Eles não substituem perícia, mas ajudam você a entender por que, no longo prazo, pequenas diferenças viram um mundo.

9.1 Simples × Composto (juros sobre juros)

Se a taxa mensal parece “pequena”, o composto no longo prazo pode explicar a sensação de “bola de neve”.

Resultado
Preencha e clique em “Comparar”.

9.2 SAC × PRICE (amortização) — educativo

No PRICE, a parcela tende a ser mais “constante”, mas o início costuma amortizar menos. No SAC, a amortização costuma ser maior no começo e a parcela tende a cair ao longo do tempo.

Resultado
Preencha e clique em “Simular”.
O que é “amortização negativa” (e por que você deve olhar isso)
É quando sua parcela não cobre o custo do mês (juros + correção), e o saldo aumenta. Pode acontecer em alguns cenários, mas quando é recorrente e não foi explicado com clareza, isso vira um forte indicador de desequilíbrio e falta de transparência.

10) Kit de documentos + gerador de mensagem (para pedir a planilha do saldo)

Marque o que você já tem e gere uma mensagem pronta pedindo o que falta (especialmente a memória de cálculo).

Mensagem gerada
Clique em “Gerar mensagem”.

11) Quiz rápido (diagnóstico de risco)

Responda e veja uma leitura automática com base no que você marcou.

1) Você paga há pelo menos 2 anos e o saldo não diminui (ou aumenta)?
2) Você recebe planilha clara de evolução do saldo?
3) O atraso gera cobranças desproporcionais?
4) Você tem contrato + boletos/extratos + comprovantes?
Resultado
Responda e clique em “Ver resultado”.

12) FAQ — respostas diretas (sem enrolação)

“Só porque está caro, eu ganho a revisional?”
Não. O que convence é método + prova + diferença. Se você só “acha caro”, falta base. Se você mostra a incoerência do saldo com planilha/extrato e recálculo, o caso muda de patamar.
“Eu preciso de perícia?”
Quando o núcleo do caso é cálculo, a perícia (ou assistência técnica) costuma ser o melhor caminho para transformar suspeita em número. Em muitos processos, ela é o “motor” da decisão.
“O que mais fortalece uma ação revisional?”
(1) evolução do saldo mês a mês, (2) identificação de onde há empilhamento de encargos, (3) comparação entre o pactuado e o cobrado, e (4) recálculo do excesso com critério.
Quer uma análise objetiva do seu caso? Faça a triagem e envie a documentação no WhatsApp Oficial.

Luiz Fernando Pereira Advocacia ⚖️ • WhatsApp Oficial (11) 98599-5510

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19/12/2025

ENTENDA SOBRE O ACORDO DE NÃO PERSECUÇÃO CIVIL NA PRÁTICA

ANPC na Improbidade: guia completo, decisões relevantes e aplicação prática
⚖️ ANPC • guia prático + decisões + ferramentas
🧲 Ferramentas

ANPC na Improbidade: guia completo, decisões relevantes e aplicação prática

O Acordo de Não Persecução Civil (ANPC) virou, na prática, um dos mecanismos mais importantes para encerrar litígios e transformar risco processual em obrigações objetivas. Quando bem estruturado, o acordo reduz custo, tempo e incerteza — mas, quando mal redigido, cria uma “segunda ação” sobre cálculos, provas e descumprimento.

Como usar este artigo: navegue pelo sumário, use a busca e, no final, faça o quiz. As ferramentas do item 10 ajudam a “traduzir” o ANPC para o caso concreto.
⏱️ Tempo estimado: calculando… 🔎 Resultados: 0 ✅ didático + executável 🧩 ferramentas + FAQ + quiz

1) O que é ANPC e por que ele “pegou” na prática

O Acordo de Não Persecução Civil (ANPC) é um instrumento de solução consensual no âmbito civil — com especial relevância nas situações relacionadas à improbidade administrativa — em que o Ministério Público, diante das circunstâncias do caso, pode pactuar com o investigado/réu um conjunto de obrigações objetivas capazes de entregar resultado público: recomposição do dano, devolução de vantagens, medidas de integridade/ajuste e prevenção de novas irregularidades.

O motivo de o ANPC ser tão buscado é simples: ele responde a um problema real do processo. Muitas ações de improbidade, mesmo quando bem instruídas, podem durar anos e gerar instabilidade. O acordo, quando bem desenhado, troca incerteza por execução mensurável.

Tradução prática: ANPC não é “um texto bonito”. É um plano de cumprimento com prova de cumprimento e consequências automáticas se não cumprir.
Exemplo prático (fácil de visualizar)

Imagine um caso em que há discussão sobre dano ao erário e vantagem obtida com contrato irregular. Um ANPC bem feito define: (i) valor-base e metodologia (planilha/anexos), (ii) índice e data-base, (iii) cronograma (datas exatas), (iv) forma de comprovar pagamentos e medidas, e (v) gatilhos por atraso. Isso transforma o caso em “cumprir ou não cumprir”, e não em “discutir para sempre”.

2) Base legal e marcos normativos que você precisa conhecer

Na Lei de Improbidade Administrativa, a consensualidade deixou de ser exceção e passou a ter regra própria, com previsão expressa de ANPC e seus contornos no art. 17-B. Além disso, o tema ganhou balizas institucionais importantes, incluindo regulamentação no âmbito do Ministério Público por atos normativos do CNMP.

1
Virada de chave

Admissão de soluções consensuais e consolidação do ANPC no sistema.

2
Detalhamento do procedimento

Regras materiais e procedimentais (incluindo homologação e cláusulas mínimas).

3
Regulação institucional

Resoluções e orientações do Ministério Público para padronizar segurança e controle.

Ponto sensível: houve discussão constitucional sobre a participação obrigatória de Tribunais de Contas em etapa específica do ANPC (tema relacionado ao §3º do art. 17-B), com suspensão cautelar de eficácia em decisão do STF em ADI — isso impacta como os atores tratam a “oitiva” e o papel técnico dos Tribunais de Contas.

3) Requisitos e critérios que fazem o ANPC “parar em pé”

Na prática, os requisitos se organizam em três camadas: base mínima de prova, objeto e metodologia fechados e capacidade real de cumprimento. Sem isso, o acordo deixa de ser solução e vira problema.

3.1 Base mínima de prova (o “mínimo indispensável”)

Não é necessário esgotar toda a prova do processo para celebrar acordo — mas é indispensável que existam elementos suficientes para justificar a composição e, sobretudo, para sustentar a metodologia de cálculo e a fiscalização. É aqui que muitos ANPCs falham: o texto promete, mas não prova nem permite verificação objetiva.

3.2 Objeto delimitado (o que entra e o que fica fora)

A delimitação do objeto evita a maior fonte de litígio posterior: disputa de abrangência. Um ANPC bem feito deixa claro o recorte fático, o período, as condutas e os efeitos de quitação (ou, quando for o caso, o que não é objeto de quitação).

3.3 Metodologia fechada (valor-base, índice, data-base)

A metodologia deve estar “ancorada” em anexos: planilhas, relatórios, memória de cálculo, parâmetros e premissas. Acordo com “valor a apurar” ou “índice a definir” é um convite para judicialização.

3.4 Capacidade de cumprimento (viabilidade econômica e cronograma real)

Um cronograma irreal produz o pior cenário: descumprimento rápido + perda de credibilidade + litigância ampliada. A lógica é: melhor um acordo executável do que um acordo “ambicioso” que cai no primeiro mês.

4) Como o ANPC acontece na prática (passo a passo real)

Este é o roteiro que, na rotina, reduz erros e melhora a taxa de acordos bem-sucedidos. Você pode usar como checklist de negociação (e as ferramentas do item 10 ajudam).

1
Diagnóstico do caso

Fatos, riscos, prova disponível, sanções em jogo e margem de negociação.

2
Recorte e anexos

Linha do tempo, documentos essenciais e premissas do cálculo.

3
Proposta com metodologia

Valor-base, índice, data-base, cronograma e forma de comprovação.

4
Cláusulas executáveis

Gatilhos automáticos de atraso/descumprimento e controle objetivo.

5
Homologação e cumprimento

Rotina de comprovação e encerramento com quitação conforme cláusulas.

O segredo que ninguém diz: o “tempo” de negociação diminui quando você entrega anexos e prova de cálculo. O que trava negociação, normalmente, é a insegurança sobre números e sobre a forma de fiscalização.

5) Homologação judicial: qual é o papel do juiz (e o que evitar)

Em linhas gerais, a homologação tende a se concentrar em controle de legalidade, regularidade e voluntariedade, além de verificar se as obrigações são compatíveis com a tutela do patrimônio público. Por isso, o melhor caminho é entregar um acordo que já nasce “auditável”: com anexos, cronograma e prova objetiva.

Erros clássicos: cláusulas abertas (“medidas cabíveis”), ausência de índice/data-base, ausência de prova de cumprimento, cronograma sem datas fixas, ou objeto com delimitação confusa.

6) Cláusulas essenciais (modelo mental para não errar)

Pense em blocos. Se você “fecha” estes blocos, o acordo tende a funcionar. Se um bloco fica aberto, o litígio entra por ali.

Bloco 1 — Objeto e delimitação

Defina: fatos, período, condutas, anexos, partes abrangidas e efeitos de quitação. Quanto mais claro o recorte, menor a chance de disputa futura.

Bloco 2 — Metodologia (valor-base + premissas + anexos)

Junte memória de cálculo e premissas. Indique fonte de dados e método. Se houver margens, explique como serão auditadas.

Bloco 3 — Índice, data-base e cronograma

Índice sem data-base e data-base sem índice viram discussão de cálculo. Cronograma deve ter datas certas e forma de comprovação.

Bloco 4 — Prova de cumprimento (o que prova e em que prazo)

Defina quais documentos comprovam pagamento/medidas: comprovantes, extratos, relatórios, certificações, auditorias e prazos para apresentação.

Bloco 5 — Gatilhos automáticos (atraso, inadimplemento, vencimento antecipado)

Sem gatilhos automáticos, a discussão vira “descumpriu ou não descumpriu”. O acordo forte define multa/juros, vencimento antecipado e procedimento de verificação.

7) Descumprimento: como escrever para não criar “segunda ação”

A cláusula de descumprimento precisa ser objetiva, porque é ela que separa “acordo que resolve” de “acordo que vira litígio”. A linguagem “genérica” pode parecer elegante, mas é tecnicamente perigosa.

Evite: “Em caso de descumprimento, serão tomadas as medidas cabíveis.”
Isso costuma gerar disputa sobre: o que é descumprimento, qual medida, quando, por quem, e com qual prova.
Prefira: defina (i) prazo de tolerância, (ii) multa e juros, (iii) vencimento antecipado, (iv) cláusula resolutiva (se aplicável), e (v) como se comprova o inadimplemento (documentos + procedimento).

8) Principais decisões e entendimentos (com impacto prático)

A seguir, um recorte de entendimentos que mudam a vida real do ANPC. A ideia aqui não é “encher” o texto, mas destacar o que influencia negociação e estratégia.

STJ — homologação em fase recursal: há precedente relevante admitindo homologação de ANPC em ação de improbidade mesmo em instância recursal, o que é decisivo para casos em que as partes só amadurecem o acordo após sentença/recurso.
Veja a notícia institucional e o acórdão indicado nas fontes ao final.
STF — cautelar suspendendo eficácia do art. 17-B, §3º (oitiva do Tribunal de Contas): decisão cautelar em ADI suspendeu a exigência, impactando como se trata, na prática, a participação “obrigatória” do Tribunal de Contas na apuração do dano. Isso altera a estratégia: em muitos casos, a oitiva passa a ser tratada como apoio técnico e não como etapa condicionante automática.
CNMP — regulamentação institucional do ANPC: atos do CNMP buscam padronizar parâmetros (momento de celebração, controle, registro e conteúdo mínimo), influenciando a prática do Ministério Público e a forma de construir acordos mais estáveis.

9) Estratégia prática: quando vale a pena insistir no ANPC

Em termos de estratégia, o ANPC costuma ser mais eficiente quando existe: (i) risco processual bilateral, (ii) possibilidade de entrega de resultado público mensurável, e (iii) disposição para anexos e fiscalização. Quando a negociação travar, quase sempre é por um destes motivos: número incerto, prova frágil ou cronograma irreal.

Dica de ouro: negociações “emocionais” tendem a falhar. Negociações “técnicas”, com metodologia e anexos, tendem a andar.

10) Ferramentas interativas (sem travar)

Ferramenta 1 — Diagnóstico de viabilidade (educativo)

Ferramenta 2 — Gerador de checklist do ANPC (pronto para colar)

Ferramenta 3 — Gerador de cláusulas essenciais (educativo)

Ferramenta 4 — Simulador de atraso (multa + juros simples)

11) FAQ (perguntas que aparecem na vida real)

O ANPC pode ser celebrado com o processo já em andamento?

Na prática, sim. É comum que a negociação amadureça após contestação, prova pericial ou até após sentença. O importante é que o acordo seja útil, proporcional e executável, com anexos e controle.

Qual é a maior fonte de “briga depois do acordo”?

Metodologia fraca e cláusulas abertas. Se o acordo não define índice/data-base, prova de cumprimento e gatilhos automáticos, a disputa muda de lugar e volta como litígio de cálculo/descumprimento.

É melhor acordo à vista ou parcelado?

Depende da capacidade real de cumprimento. Um parcelamento executável (com prova e gatilhos) costuma ser melhor do que um “à vista” irreal. O acordo não deve ser uma promessa impossível: deve ser um plano de entrega.

O que eu devo anexar para o acordo ficar forte?

Linha do tempo do caso, documentos mínimos, memória de cálculo (planilha + premissas), cronograma de pagamentos/medidas, e modelo de prova de cumprimento (comprovantes, extratos, relatórios).

12) Quiz (fixação + engajamento)

Fontes e leituras recomendadas

Lei 8.429/1992 (Planalto) — com art. 17-B: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l8429.htm

STJ (notícia institucional): homologação de ANPC em fase recursal (20/04/2022): link
STF (notícia): cautelar suspende art. 17-B, §3º (27/12/2022): link
CNMP (notícia): regulamentação do ANPC no MP (17/02/2025): link
CNMP — Resolução nº 306/2025 (PDF): link

Quer avaliar um ANPC no seu caso?

Se você precisa estruturar um ANPC com metodologia, anexos e cláusulas executáveis, eu posso analisar o cenário e orientar a melhor estratégia (inclusive para evitar nulidades e litígios posteriores).

💬 WhatsApp Oficial (11) 98599-5510 Luiz Fernando Pereira Advocacia ⚖️

Sugestão de mensagem: “Tenho um caso de improbidade e quero avaliar viabilidade de ANPC. Posso resumir fatos, fase do processo e valores envolvidos?”

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